Resenha - Chile e Ilha de Páscoa | Globo Livros

No norte, um deserto com uma das visões mais lindas do céu que se pode ter. No sul, a fauna intrigante da Patagônia. Em Santiago, La Chascona, a bela casa do poeta Pablo Neruda que se parece com o interior de um navio. Atrações diferentes, mas igualmente interessantes, não faltam no Chile, que é desvendado de ponta a ponta no guia da Lonely Planet Chile e Ilha de Páscoa, publicação da Globo Livros. Ao longo de quase 500 páginas, passando por nove capítulos divididos por região, viajantes com gostos variados descobrirão com ele o seu destino ideal no país sul-americano. 

Aventureiros descobrem como e onde escalar montanhas e vulcões, surfar nas ondas do Pacífico Sul e explorar os 4,3 mil km de natureza variada, deparando-se com dunas, florestas antiquíssimas, geleiras e fiordes. No Parque Nacional Torres del Paine, por exemplo, o ponto alto é a caminhada pelo Glaciar Grey, uma experiência quase mítica. A Ilha de Páscoa é uma atração à parte. Além do fabuloso mar azul-turquesa da Praia Ankena, vale a pena voar algumas horas, partindo da capital chilena, para tentar desvendar os mistérios das enigmáticas moai, as gigantescas estátuas que até hoje geram lendas e rumores sobre como foram colocadas nas praias da ilha. Os românticos e eruditos têm muito a descobrir também. Além de seguir os passos de Neruda por Santiago e Viña del Mar, pode-se mergulhar no idílico interior rural dos Andes pela Carreter Austral ou degustar vinhos nas lindas e vinícolas do Valle do Colchaga – um programa perfeito para a lua-de-mel. 

Quem viaja com crianças pode se divertir em diversas atrações: nos resorts de inverno do Valle Nevado, há pistas de esqui fáceis para a garotada se esbaldar; no norte, é a vez de se refrescar na água, nas piscinas naturais de La Piscina, na Baía Inglesa; para mais contato com a natureza, a cavalgada ao pé dos Andes pode ser uma inesquecível experiência em família. Dicas de onde dormir, comer e comprar dadas por quem esteve lá, além de explicações o transporte no país estão no guia Lonely Planet Chile e Ilha de Páscoa, recheado de mapas, imagens e informações para que toda viagem seja tranquila e muy encantadora. 


Na pré-história humana, até 1200 a.C., a expansão polinésia é contada como uma das explorações marítimas mais dramáticas. Povos vindos do continente asiático – agricultores, navegadores, aparentemente originários do arquipélago de Bismark, a noroeste da Nova Guiné, atravessaram quase dois mil quilômetros de mar aberto, a bordo de canoas, para atingir as ilhas da Polinésia Ocidental de Fiji, Samoa e Tonga. Os polinésios, apesar da ausência de bússola, instrumentos de metal e escrita, eram mestres da arte da navegação e da tecnologia de canoas à vela. Os seus ancestrais produziam uma cerâmica conhecida como estilo lapita.

Alguns historiadores acreditavam que as ilhas polinésias foram descobertas por acaso. Hoje, porém, há fortes indícios de que, tanto as descobertas como a colonização foram planeadas por viajantes que, numa incursão predeterminada, navegavam rumo ao desconhecido. A rota mais provável para a colonização da Ilha De Páscoa deve ter sido a partir das ilhas de Mangareva, Pitcairn e Henderson, as duas últimas funcionando como trampolins visto que uma viagem direta de Mangareva à Páscoa dura cerca de dezessete dias, principalmente transportando produtos essenciais para a sobrevivência da colônia. A transferência de muitas espécies de plantas e animais – de taro a bananas e de porcos a cães e galinhas, não deixam dúvidas sobre o planeamento da ocupação da Ilha De Páscoa pelos seus colonizadores.

É incerta a data da ocupação da Ilha De Páscoa, tanto quanto é incerta a data da colonização das ilhas polinésias. Publicações sobre a Ilha De Páscoa registam a sua possível ocupação entre 300-400 d.C., com base em cálculos de tempo a partir de divergências linguísticas – técnica conhecida como glotocronologia, e em datações radiocarbônicas de carvão, além de sedimentos lacustres. Entretanto, especialistas na história de Páscoa questionam tais cálculos, considerados precários quando aplicados a idiomas complexos como o pascoense "(…) conhecido por nós principalmente através de, e possivelmente contaminado por, informantes taitianos e marquesanos."

Ilhota Motu Nui, parte da cerimônia do culto ao homem-pássaro. Jacob Roggeveen, o descobridor da Ilha de Páscoa. No período 600-800 (as datas exatas ainda são objeto de discussão) as ilhas da Polinésia Oriental (ilhas Cook, ilhas da Sociedade, ilhas Marquesas, Austrais, Tuamotu, Havaí, Nova Zelândia, Pitcairn e Páscoa) foram colonizadas. Datações radiocarbônicas mais confiáveis – obtidas através de amostras de carvão e de ossos de golfinhos – que serviram de alimento para seres humanos – extraídas das mais antigas camadas arqueológicas, oferecem prova de presença humana na praia de Anakena. A datação dos ossos de golfinhos foi realizada pelo método EMA (Espectrometria de Massa com Acelerador). Estima-se, portanto, a primeira ocupação de Páscoa em algum tempo antes de 900. Por volta de 1200 os polinésios expandiam suas rotas até Nova Zelândia, completando a ocupação das ilhas habitáveis do Pacífico.

Há evidências de que os insulares de Páscoa fossem típicos polinésios, vindos da Ásia em vez da América. Sua cultura saiu da cultura polinésia. Falavam um dialeto polinésio oriental relacionado ao das ilhas do Havaí e das Marquesas (semelhante ao dialeto conhecido como antigo mangarevano). Seus instrumentos (arpões, anzóis, enxós de pedra, limas de coral) eram polinésios e assemelhavam-se a antigos modelos das ilhas Marquesas. Muitos de seus crânios apresentavam uma característica polinésia conhecida como “mandíbula oscilante”. Amostras recolhidas de 12 esqueletos enterrados nas plataformas foram analisados e todos possuíam “(…) uma deleção de nove pares de bases e três substituições de bases presentes na maioria dos polinésios (…)”. Este estudo de DNA comprova que duas dessas três substituições de bases não ocorrem nos nativos americanos, contrariando a tese do explorador norueguês Thor Heyerdahl de que a ilha de Páscoa fora colonizada através do Pacífico oriental, por sociedades indígenas avançadas da América do Sul.

2 comentários:

  1. Oi, tudo bom?
    Passando para deixar um comentário rsrs
    Sempre quis conhecer lugares assim .
    Amei a resenha !
    Lá deve ser demais :)
    Beijos*-*
    Território das garotas
    http://territoriodascompradorasdelivro.blogspot.com.br/

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  2. Nossa... "vulcões, surfe, dunas, florestas antiquíssimas, geleiras e fiordes". Acho que um lugar não precisa de mais nada pra atrair a minha atenção e de dar vontade de conhecer! Simplesmente adorei! E gostei muito da sua resenha também!!

    Quero te convidar pra dar uma passarinha no meu blog!
    Estou mudando de endereço e gostaria que você viesse conhecer minha "casa nova"!
    Lana Lupin's Diary - http://lanalufanfic.blogspot.com.br/
    Ahh, já estou seguindo seu blog, claro!

    Beijussss;

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