Resenha - As Origens de Drácula | Arturo Branco

Atualmente, Drácula é conhecido por todo o mundo como um vampiro originário da misteriosa região da Transilvânia. Quando seu nome é citado, tanto no Oriente quanto no Ocidente, remetemos à imagem de um homem pálido, com caninos grandes e capa preta; um vampiro sedutor, cruel e vingativo, capaz de espalhar a destruição e a morte por onde passa. Essa imagem se deve, em grande parte, à consagrada obra Drácula, de Bram Stoker, editada originalmente em 1901. 

Esse livro famoso mundialmente levou a todos o nome e a imagem de Drácula, que se tornou conhecido como o terrível vampiro da Transilvânia. Inicialmente, Stoker se apoiou em um ser real para criar seu personagem fictício. O Drácula de Stoker foi baseado em um cruel personagem da história do Leste Europeu, o rei Vlad Dracula “Tepes”, e, inicialmente, o autor sequer tencionava utilizar esse nome para o monstro de seu romance. "As Origens de Drácula" procura desvendar como se deu essa transição entre a figura de um regente medieval e a de um vampiro literário, explorando as origens do mito do vampiro, dos mortos-vivos e a história do Drácula original, Vlad Dracula. 

Este romance em forma epistolar, dando voz às várias personagens, abre com a chegada de um solicitador, de nome Jonathan Harker, a um castelo em uma remota zona da Transilvânia. O jovem Harker trava conhecimento com o excêntrico proprietário do castelo, o conde Drácula, dado este ter em vista a aquisição de várias propriedades na Inglaterra. Aos poucos Harker começa a perceber que há mais do que excentricidade naquela figura, há algo de estranho no anfitrião, algo de realmente assustador e tenebroso. Aliás, passada a inicial hospitalidade, Harker começa a entender que, mais do que um hóspede, é também um prisioneiro do conde Drácula. Seguidamente, Drácula decide viajar até à Inglaterra, deixando um rastro de morte e destruição por onde passa – sob a forma de um enorme morcego -, enquanto Harker é deixado à guarda de três figuras femininas, três terríveis seres que se alimentavam de sangue humano. Harker consegue fugir, apesar de bastante debilitado, e encontra-se com a sua noiva, Mina, em Budapeste.

Já na Inglaterra, Lucy, uma jovem inglesa, amiga de Mina, começa a apresentar estranhos sintomas: uma enorme palidez e dois enigmáticos orifícios no pescoço.Seus amigos, John Seward, Quincey Morris e Arthur Holmwood, incapazes de perceber a origem daquela doença, recorrem ao auxílio do Dr. Abraham Van Helsing, médico e cientista, famoso por seus métodos pouco ortodoxos, tendo compreendido que Lucy tivera sido vítima dos ataques de um ser diabólico: Drácula, uma espécie de morto-vivo que se alimentava de sangue humano.(vampiro) Contudo, receando a reação destes, Van Helsing decide não revelar imediatamente suas conclusões.

Numa noite, Lucy e sua mãe são atacadas por um morcego – a versão animal do conde Drácula – e ambas morrem, embora de causas diferentes: Lucy tendo sido fruto do ataque sanguinário do morcego/Drácula; a mãe de Lucy vítima de ataque cardíaco provocado pelo medo. Lucy é enterrada, mas a sua existência não termina por aí: esta renasce como vampira e começa a perseguir crianças. Van Helsing, não tendo outra opção, confidencia as suas conclusões aos amigos desta. Estes, decididos a colocar um fim naquela forma de existência, pregando-lhe uma estaca no coração e cortam-lhe a cabeça, pois só assim ela poderia descansar em paz.

Pouco tempo depois, para surpresa dos mesmos, percebem que Drácula tinha agora uma nova vítima, Mina, já regressada de Budapeste junto com Harker, agora juntos na condição de marido e mulher. Porém, além de se alimentar de Mina, Drácula também lhe dá o seu sangue a beber, ritual que os faz ficarem ligados espiritualmente, como numa espécie de matrimonio das trevas. Van Helsing compreende que, através da hipnose, é possível seguir os movimentos do vampiro, assim, decididos a destruí-lo e a salvar Mina, os homens o perseguem. Drácula foge para o seu castelo na Transilvânia, todavia, este é destruído pelos perseguidores antes de o conde concretizar tal objetivo, libertando a Mina do tal “encantamento”.


Abraham "Bram" Stoker foi um romancista, poeta e contista irlandês, mais conhecido atualmente por seu romance gótico Drácula, a principal obra no desenvolvimento do mito literário moderno do vampiro. Sempre estudando em Dublin, escreveu seu primeiro ensaio aos 16 anos e, em 1875 concluiu seu mestrado. Conseguiu se tornar crítico de teatro, sem remuneração, no jornal Dublin Eventing Mail. Em 1878 Stoker casou-se com Florence Balcombe, cujo ex-pretendente foi Oscar Wilde. Com a mulher, mudou-se para Londres, onde passou a trabalhar na companhia teatral Irving Lyceum, assumindo várias funções e permanecendo nela por 27 anos. Em 31 de Dezembro de 1879 nasceu seu único filho, Irving Noel Thornley Stoker. 

Trabalhando para o ator Henry Irving, Stoker viajou por vários países, apesar de nunca ter visitado a Europa Oriental, cenário de seu famoso romance. Enquanto esteve no Lyceum Theatre de Londres, começou a escrever romances e fez parte da equipe literária do jornal londrino Daily Telegraph, para o qual escreveu ficção e outros gêneros. Antes de escrever Drácula, Stoker passou vários anos pesquisando folclore europeu e as histórias mitológicas dos vampiros. Depois de sofrer uma série de derrames cerebrais, Stoker faleceu em Londres em 1912. Alguns biógrafos atribuem a um processo desencadeado por uma sífilis terciária como causa de sua morte. Foi cremado e suas cinzas estão numa urna no Crematório de Golders Green, Golders Green, em Londres, Inglaterra.

4 comentários:

  1. amo este estilo
    amei quero já o meu pra ler
    bezo
    http://guriabunitabykhen.blogspot.com.br/

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  2. Bram Stoker construiu uma influência literária tão forte que suas ideias fizeram a imaginação de vários autores e até cineastas do século XX, isso é incrível! Porém, ultimamente os novos autores da literatura moderna de vampiro tentam modificar a essência da figura da principal raça vampira =(

    Falando da obra:
    Bom, quando li essa resenha, creio que vi uma exceção a regra, achei fascinante a história do livro, que há elementos clássicos do vampirismo de Drácula só que o enredo é bem diferente. Muito bom!

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    1. Sim, Reylton, o autor descreve perfeitamente o Drácula!

      Abraço

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