Resenha - O que é isso, companheiro? | Fernando Gabeira


“Um povo sem memória é um povo sem história”. A frase de sabedoria popular sintetiza porquê O que é isso, Companheiro? de Fernando Gabeira é um livro importante.  É difícil categorizar o livro já que, apesar do tom dominante possuir a tônica do depoimento, há também reflexões ensaísticas e até mesmo pitadas de romance. Para uma leitura mais completa, aconselho possuir um prévio conhecimento histórico da época da ditadura (1964-1985), mas não que seja condição imprescindível para a leitura. O autor explicar alguns pontos importantes sobre a época, além de haver um glossário no final do livro complementando algumas siglas e nomes que não foram tão detalhados. 

OK. Afinal, sobre o que é o livro?


Fernando Gabeira conta sobre sua participação nos atos marcantes que ajudaram a derrubar a ditadura instalada no Brasil pelo militares no ano de 1964. O livro começa com Gabeira descrevendo como sentiu-se com relação aos acontecimentos pré-64 e sua surpresa com a falta de resistência de gente que se dizia contra um possível governo militar. Ao ler essa obra é preciso ter em mente a época em que se vivia: a década de 60 com os Beatles, os Rolling Stones, a contra-cultura hippie nos EUA batendo de frente com a guerra no Vietnã (Make Love, Not War) e o movimento musical chamado Tropicalismo davam o tom no Brasil de revolta e vontade de mudanças. Na época, alguns eram comprometidos de corpo e alma com a mudança que queriam ver no mundo. Faziam o que podiam para acontecer a transformação (comportamental, política, etc...)  que julgavam necessária e sabiam que não estavam sozinhos em suas vontades. O comprometimento era legítimo.

Sob esse contexto, com a euforia da possibilidade de instalar o regime comunista no Brasil, Gabeira lutou pelos seus ideias. Para tal, não economizou esforços. Ajudou a organizar a passeata dos Cem Mil e tornou-se um dos homens mais procurados do Brasil por ter se envolvido no sequestro do embaixador norte-americano Charles Elbrick, que serviu de moeda de troca para liberação de alguns presos políticos.

Antecipar aqui, como se deu o planejamento do sequestro ou como Gabeira escapou (em partes) da tortura por ter tomado um tiro na barriga, seria estragar um pouco o prazer de ler o livro.

Fernando Gabeira expõe-se no livro numa reflexão franca sobre se valeu a pena ou não tudo o que passou. Opina sobre como a história dos anos de chumbo poderia ser melhor contada se complementada com a versão dos detentores do poder daquela época, os militares. Com muita humildade, Gabeira afirma que o livro é apenas “mais um depoimento” sobre a época, mas vai muito além. É a dissecação de um tempo negro da história do Brasil que nunca deverá ser esquecido por aqueles que prezam pela liberdade de expressão, liberdade de ir e vir e, claro, a liberdade de viver.

5 comentários:

  1. Esse tipo de livro todo mundo deveria ler. Além da leitura por prazer, deve-se ler sim, pelo menos de vez em quando, livros que culminam a nossa inteligência rs

    Beijos,
    Caroline, do Criticando por Aí

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  2. Oi, Caroline! : )

    Eu costumo alternar os livros: um de literatura outro que discuta problemas sociais e afins.

    Obrigado pelo comentário.

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  3. Bom, Gostei.

    Bom adoro livro que conta algo de novo e que o tema e os personagem vivem no Rio de Janeiro. E um livro bem interessante e absurdamente boa pra ler.

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  4. Muito bom Vinicius Vermiglio !!!

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  5. Bom dia,

    Esse livro com certeza gostaria de ler...boa dica e parabéns pela resenha....abçs.Tem resenha nova no blog.

    http://devoradordeletras.blogspot.com.br/

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