Resenha - Fahrenheit 451 | Ray Bradbury


Uma cultura baseada em assistir televisão, dirigir perigosamente em auto-estradas e com uma literatura a beira da extinção. Esse é o cenário onde se passa a história de  Fahrenheit 451, de Ray Bradbury.

Guy Montag é um bombeiro, mas nessa distopia criada por Bradbury há 60 anos atrás, Montag não apaga os incêndios, e sim os inicia. Seu trabalho consiste em atender chamados do governo de sua cidade para queimar livros e casas onde as pessoas estejam lendo livros. O livro começa com um dos parágrafos mais impactantes da Literatura, onde lemos a dimensão do sentimento que Montag possui em relação a seu trabalho. 

O bombeiro tem orgulho do que faz e sabe da importância de sua tarefa, mas começa a questionar-se e ficar curioso sobre o conteúdo dos livros e pergunta-se a razão pela qual queima livros.

Durante sua crise, ele só pode contar consigo mesmo para responder suas perguntas. Morando com uma mulher totalmente satisfeita com seu modo de vida, e que considera o máximo suas televisões gigantes que interagem entre si e com ela e seu carro veloz, Guy Montag está casado com Mildred, mas há muito tempo vivem vidas separadas. Ela por alienação, ele por inquietação.

As coisas mudam para Montag quando ele conhece Clarisse McClellan, uma garota encantadora de 17 anos que mora em sua vizinhança. Desajustada socialmente, mas muito alegre e intuitiva, Clarisse não é pragmática como o resto da sociedade integrada no modo padrão de vida e prefere perguntar o “por quê” das coisas, ao invés de “como”. 

Após conhecer Clarisse, Montag aprofunda-se ainda mais em suas dúvidas e no modo como leva sua vida, enquanto tenta dissumular seus sentimentos para com seus colegas de trabalho. Seu chefe, Capitão Beatty, percebe que o bombeiro tem agido estranho e o provoca com perguntas com as quais ele não sabe argumentar muito bem e o deixa perturbado a ponto de ter pesadelos com o patrão. Apesar de detestável,  Capitão Beatty é única fonte de informação para Montag saber mais sobre os livros e é com ele que se desenrolam os diálogos mais importantes do livro, explicando a razão do governo ordenar a extinção dos livros.

Tudo muda quando Montag lê uma linha de um poema de Nicholas Ridley, na casa onde foi queimar os livros de uma transgressora da lei. Enquanto esconde o livro para si, Montag tenta persuadir a mulher a deixar o local. Ela opta por ficar e morrer junto com seus livros e a casa. 

Mais tarde, depois de outros encontros desagradáveis com Capitão Beatty, Montag conhece Faber, um professor de Inglês que viveu na época onde os livros ainda não eram banidos. A história ganha em dramaticidade e emoção a partir deste encontro.

Por que ler: Ao lado de 1984, de George Orwell e Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, Ray Bradbury escreveu uma das distopias mais assustadoras e ao mesmo tempo mais críveis da história. 

Preocupado com a censura de sua época*, Bradbury consumou em livro as ameaças de censura e queima de livros. Fazendo isso, o autor traz a discussão do que representa a censura para uma sociedade. Se há quem pense que abrir mão dos direitos de ler o que quiser, serve para combater um “inimigo”, (na época a União Soviética), então a cultura de um país corre sérios riscos, já que o controle do Estado sobre o livre-arbítrio da população interfere diretamente na maneira como as pessoas agem e pensam, alienando quem se deixa levar pelo discurso de “segurança nacional”. 

Bradbury também discute os valores que a cultura letrada possui. Baseada na televisão e no entretenimento, os personagens de Fahrenheit 451 não possuem senso crítico nem senso histórico para avaliar as condições em que vivem. Na cultura blip** da televisão, a efemeridade das informações e o entretenimento de baixo valor cultural, tornam os cidadãos hedonistas e até egoístas. Fahrenheit 451 é um livro para pensar como vivemos e que compromissos temos para com nós mesmos.

*Época do Macartismo (em inglês McCarthyism). Iniciada no final da década de 50, o presidente americano McCarthy perseguia e acusava escritores, artistas e diretores de apoiarem o regime da União Soviética, grande inimigo dos Estados Unidos na época. O tempo “Macartismo” é relacionado a perseguição de supostos simpatizantes para com o regime comunista e a um período de perseguição política e desrespeito aos direitos civis nos Estados Unidos.

2 comentários:

  1. Parece bem interessante o livro... bjokas

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  2. Adoro o livro! Vale lembrar que a adaptação para o cinema, embora já esteja bem antiga, retrata bem a história e é muito bem feita também. Vale pena demais!
    É sempre bom ter resenhas sobre os clássicos da literatura!

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