Reflexão temática - A árvore literária brasileira e seus frutos

Quando falamos do cenário literário de um país podemos, oportunamente, compará-lo a uma árvore. Por seus frutos veremos se tal macieira é saudável, matura e valorizada. Toda árvore boa dá bons frutos, e todas as más, frutos ruins; conheceremos a árvore por seus frutos.

Primeiramente precisamos saber que quando diagnosticamos nosso cenário literário atual, ou de qualquer outro país, temos que levar em consideração três pontos principais:

O autor, o leitor e as editoras. Entre si, estes três se alimentam, suprem-se e vivificam-se constantemente. Um depende do outro, pois que árvore é sustentada se não estiver completa? São basicamente estes três que estruturam e dão vida e forma a qualquer cenário literário; são as partes vitais da árvore e, assim sendo, devem ser analisados com cuidado antes de podermos caracterizar um país como "literário" ou "não literário".
Que o Brasil está com um bom e amplo mercado de escrita e leitura a maioria sabe,  entretanto, será que toda esta sabe o motivo deste fato?

O autor

[A raiz da sabedoria!] Tanto o autor já conhecido como o iniciante – ou menos conhecido – têm sido apreciado em nosso cenário atual. A diferença de um para o outro é que o desconhecido precisa ter um diferencial para se tornar conhecido, não que isso seja um crivo para uma boa escrita, mas é o fruto de um ambiente que valoriza os escritores – e também os leitores. 

Existe uma frase que diz mais ou menos assim: “O país desenvolvido não é aquele em que pobres possuem carros, mas sim em que ricos andam de transporte público”, e assim também é com o cenário literário. Poderíamos dizer que o cenário literário maturo de um país não é aquele onde apenas escritores já conhecidos são lidos, tampouco se tornam conhecidos apenas os que já possuem dinheiro e/ou influência, mas também aquele em que o autor principiante, amador e menos conhecido também é apreciado, ou seja, tem seu local de destaque e a oportunidade de tornar-se proeminente.

O leitor

[O tronco observador!] Em primeira instância, não podemos negar que, infelizmente, o povo brasileiro lê pouco, muito pouco; a escola não incentiva a leitura como deveria, em casa, a criança recebe pouca influência – na maioria das vezes – e o comércio é pouco voltado à leitura – e dependendo do lugar, poucos podem ter acesso , assim, criando adultos “não leitores”.

Entretanto, de uns anos para cá, vemos este cenário se transformar drasticamente; agora, escolas incentivam mais a leitura, crianças, ainda que pequenas, ganham seu primeiro livro dos próprios pais, e um mercado também para o leitor, com facilidades e oportunidades.

Digo por mim, vivo em São Paulo há um bom tempo e, até uns dois anos atrás não via um exército de cidadãos leitores como eu vejo nos dias de hoje. Em pé e sentados, tanto no ônibus, quanto no metrô, e até mesmo nas ruas. Cada vez mais leitores estão usufruindo de uma boa leitura com seus livros físicos ou em aparelhos tecnológicos. 

Hoje em dia as pessoas têm mais acesso à aparelhos eletrônicos para que possam ler, esse são conhecidos como: tablet ou e-readers; mas, a princípio, os tablets eram usados mais para fins práticos – e não tanto para leitura –, como acesso as redes sociais, trabalho e praticidades em geral. Contudo, com o crescimento da valorização da leitura, podemos ver estes aparelhos sendo cada vez mais usados por leitores assíduos – praticidade e economia são dois fatores relevantes. Já os e-readers, famosos aparelhos quase que exclusivos para leitura, antigamente não eram de fácil acesso, graças a seu alto custo. Um dos motivos de eles estarem assim nos dias de hoje, é que temos mais leitores, e ocasionalmente o preço caiu, havendo uma maior procura. 

As editoras

[O solo fértil!] Editoras fantásticas como Madras, Novo Conceito, Leya, Intrínseca, M.Books dentre outras. São essas e muitas outras que têm nos dado gloriosas leituras para os amantes de literatura e a divulgação e oportunidade para escritores – experientes e inexperientes. Os já conhecidos são ainda mais divulgados, sucessos são feitos e, talentos descobertos. 

Outro ponto que podemos – e devemos – acentuar é o esforço de muitas editoras (ou até mesmo outros estabelecimentos, impelidos pelas mesmas) na descoberta de “novos talentos”. O “escritor amador” tem obtido oportunidades e incentivos para revelar e demonstrar seu talento. Um dos melhores exemplos são os concursos literários, que tem como ênfase descobrir escritores exímios e apaixonados pelo que fazem, e assim emergir a valorização da literatura em geral no Brasil. Podemos também ver que o escritor já experiente ganha força, incentivo e motivação para continuar escrevendo, e o iniciante tem ganho oportunidades que jamais teve, ou pouco se via.

É como um ciclo vicioso, um alimenta o outro; do leitor para escritor, e do escritor para o leitor; destes, para a editora, e da editora para ambos. Os três alimentam-se uns aos outros, formando um ciclo. 

Os três pontos pelos quais discorri são a base para definir como a literatura em si e seus amantes serão tratados e valorizados nos respectivos cenários, pois a literatura e sua situação em uma sociedade são o fruto da soma escritor com leitor e editora. Estes três estão valorizando e sendo valorizados? Estão semeando e colhendo o que plantaram? De fato, podemos ver que, no Brasil, sim. Obviamente não podemos afirmar que são perfeitos ou até mesmo que estão já em uma estatura sabiamente madura; mas podemos veementemente constatar que a nossa árvore literária está mais madura, continua a amadurecer e vem dando belíssimos frutos. 

Podemos citar outro fruto de uma árvore [literária] saudável, que é a leitura para todos; no ano em que estamos uma coisa que podemos afirmar é a disponibilidade da leitura e da escrita para quase todas as classes sociais. Livros são distribuídos ou locados gratuitamente para os que têm ou não condições financeiras; para os que têm pouca, promoções e bibliotecas; e para os que possuem uma boa renda, existe a praticidade e o conforto. Mas, em todo caso, ninguém fica sem ler se assim quiser.

Mas será que todos pensam que o que está acontecendo realmente é algo vivo? Alguns críticos literários – não apenas os atuais – chamam estes crescimentos gerais da valorização da escrita e leitura em dado momento de algo passageiro “moda”. Esperamos, sinceramente, que estejam equivocados. O cenário brasileiro tende apenas ao crescimento, pois assim como uma árvore saudável dá belos frutos em tempo oportuno, o cenário literário atual em nosso país está frutificando maravilhosamente bem.

E você, caro leitor, o que acha? 

Com todos estes pontos, então, vemos que o cenário literário atual no Brasil está amadurecendo gradativamente, de uma maneira que, creio eu, poucos esperavam. As esperanças dos amantes da literatura em geral estão sendo revigoradas; autores oferecem vários estilos para todos os gostos, tipos, sabores, nuances, cores e tons – e são retribuídos com a leitura e apreciação do público. Desta variedade, podemos ver em destaque nas prateleiras: a literatura fantástica, os romances, terror, os livros de auto ajuda, suspense, e as aventuras. Os de dramas ainda levam a chorar e a mitologia a fantasiar; e nenhum gênero é menosprezado, apenas uma questão de preferências.

E por fim, você precisa saber que o leitor é tanto alicerce como fruto. O leitor, escritor e a editora que valoriza, em conjunto doutros, constrói o cenário literário e faz com que a grandiosa árvore da literatura seja, justamente, assim chamada. Caso tenhamos escritores que valorizam, teremos escritores valorizados. 

Então arquemos com nossas responsabilidades, frutifiquemos e sejamos frutos. Pois assim como um país que valoriza sua educação e seus professores, torna-se uma nação desenvolvida e inteligente, o cenário literário que respeita e valoriza seus leitores e escritores é um cenário maturo e saudável, frutificando em pessoas que pensam, que criticam, que sabem discernir o fútil do relevante e o sábio do néscio.

2 comentários:

  1. Fico feliz ao ler esse texto! Realmente, o Brasil está mudando nessa parte, e já é um grande passo!

    Adolecentro

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    1. Boa noite, Suzana!
      Fico feliz que tu tenha gostado, e você é mais um fruto deste crescimento.

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