Entrevistando Allan Pitz

Conhecendo um pouco mais sobre Allan Pitz

Allan Pitz é um escritor brasileiro nascido na cidade do Rio de Janeiro no ano de 1983. É visto por muitos como um dos jovens escritores mais talentosos do atual panorama brasileiro. Desde sempre voltado à cultura, ainda que contra inúmeras dificuldades, Allan formou-se ator no SENAC, atuou em mais de dezoito espetáculos, e depois aprendeu direção teatral na prática, dando os primeiros passos como assistente. Com o tempo, absorvido pelos livros e a racionalização da violência ao redor (atestada em oito assaltos violentos sofridos pelas ruas), o ator viu-se preso a uma síndrome do pânico. Exatamente nesta encruzilhada onde a derrota inesperada parecia iminente, o leitor trancafiado deu lugar ao escritor; a síndrome vai-se lentamente; mas o amor literário ficou, e tudo mais fora abandonado em prol dos livros e intensos estudos solitários.


Perguntas

1 - Em que momento de sua vida você decidiu se dedicar aos livros, além de escrever roteiros, contos e etc.? Houve alguém, em especial, que te inspirou?


Aconteceu sem projeto algum, seis anos atrás. Plinio Marcos, Bukowski, Henry Miller, Dalton Trevisan, Nélson Rodrigues, Machado de Assis, Carlos Drummond, Dostoievski, Sartre... Eu estava devorando a obra de grandes caras.

2 - Hoje em dia podemos ver o quão está crescendo o número de autores brasileiros. O que você acha disso tudo?


Acho excelente! Só espero que os leitores de livros nacionais apareçam na mesma proporção dos autores.

3 - Além da pesca, do café, do vinho, e da natureza, qual é a sua outra fonte de inspiração?


Meus leitores. Minhas lembranças. Notícias de Jornal, estudos...

4 - Está acostumado a dar trilha sonora aos livros lidos e escritos por você? Dê exemplos.


A Música sempre está presente nos meus momentos de criação. Sempre mesmo. No meu livro A Morte do Cozinheiro o narrador cita duas vezes a música Stuck in the middle with you. A Arte da Invisibilidade guarda uma brincadeira com música, nas últimas páginas. 

5 - Você se identifica com algum de seus personagens? Qual?


Com nenhum, Wanessa... Andei pensando longamente a questão... Meu trabalho é construído sobre alegorias. Eu gosto de criar alegorias diferentes sobre os lados B e C da humanidade. O leitor me encontra pessoalmente e estranha, geralmente deve esperar um cara mais de acordo com a loucura dos livros. 

6 - O que não pode faltar num final de tarde de um domingo de inverno? 


Vinho e queijo. 

7 - No seu ponto de vista, os leitores brasileiros são mais exigentes com os autores nacionais ou não?


É claro que são. Assim como cobram resultados da seleção brasileira, e não do English Team. É uma cobrança natural, o lado patriota querendo ver nossa bandeira na frente.

8 - Com quantos anos você se viu como um filósofo?


Filosofar é pensar... Todos guardam filosofia em si, desde sempre. Eu só queria saber os motivos reais das coisas reais programadas em sociedade. E ainda quero saber. Não me considero filósofo, meu amigo Jacob Pétry, sim, é um grande filósofo brasileiro.

9 - A cada capítulo do Estação Jugular, podemos observar paisagens distintas. Em que você se baseou? 


Nas nuances da vida. Se um dia está deserto de tudo, o outro pode ser um mar de possibilidades. Cada tela, cada ponto de parada é uma nova possibilidade, uma nova descoberta. Assim como é a vida. 

10 - Qual foi a reação da sua família ao ler suas obras?


Foi melhor do que eu esperava... Eles até curtem o meu trabalho!

11 - Ao abrir a caixa de entrada e se deparar com e-mails de leitores te elogiando, qual é a sua reação?


Seria negação dizer que não fico feliz, pois fico, sim, muito feliz. Mas aprendo pra cacete com as críticas (quando construtivas e saudáveis). 

12 - Quais obras estão à caminho?


A Dracaena está juntando minha obra, vamos lá:
Estação Jugular – Uma Estrada para Van Gogh (segunda edição)
A Morte do Cozinheiro e Outras Histórias (segunda edição com extras e histórias inéditas)
Enduro - Monólogos de um escritor renitente volume II
A Última Ronda Noturna (Suspense)

13 - Qual dica você dá aos escritores de primeira viagem?


Relaxem... Não pirem nas opiniões, e nem entrem numa espécie de corrida maluca sem alma por fama e etc. Relaxe, respire, leia, não enxergue tudo (é sério, não olhe demais para o lado) ame, seja... Seja, meu caro... Delete o resto, esqueça o status e se concentre em sua obra. Seja humilde, mas não tolo. Seja firme, mas não hostil. Seja inteligente, mas não pedante. Seja leitor. Seja muito leitor! Participe de prêmios literários, concursos, Antologias... É isso. Não pire. Apenas seja.

14 - Gostaria de deixar algum recado aos leitores?


Os leitores são como as vigas, os alicerces fundamentais do mundo literário. Tudo é erguido sobre a perspectiva de que eles estarão lá para nos segurar. Portanto, não esqueçam os livros. Eles são seus.

Rapidinhas...

Time: Flamengo e América RJ
Comida: Frutos do mar e comida Italiana, mas aprendi a gostar de comida indiana e mexicana (para intestinos de aço).
Cor: Azul
Paixão: Escrever
Vício: Cigarro, Infelizmente (pois é, mas quero parar).
Não vivo sem: Café
A natureza é: Tudo. A base de tudo.
Tenho medo de: Me perder no caminho.
Um desejo: Continuar publicando dois ou três livros por ano nos próximos trinta anos.
Se eu fosse um animal, seria um: Cachorro. Gosto de cachorros. Tenho dois.
Escrever é: Minha vida.
Com o passar do tempo, aprendi que: Não sei nada de nada. Mas não saber é a boa motivação que preciso para aprender.



Muito obrigada, Pitz, pela parceria e pela entrevista. Conte sempre com o site Estante Seletiva!

9 comentários:

  1. Show! Adoro entrevistas, acho muito legal saber mais sobre os autores. Otimas perguntas.
    Beijos

    @NinaHenker
    http://fleurdylis.blogspot.com

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  2. Gostei muito! Gosto bastante do autor e me deliciei com o livro Estação Jugular. Ótima entrevista!

    bj
    escrevendoloucamente.blogspot.com

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  3. Tenho "Um peixe de calça jeans"que vi aqui mesmo no estante seletiva. Adoro, sempre releio, em especial o menino algodão.
    Muito legal esse contato com o escritor aqui. Sucesso!

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  4. Meus parabéns ao entrevistado e ao entrevistador. abraço!

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  5. Super entrevista está de parabéns,são autores com Pitz que nossas Editoras deveriam de Incentivar mais para publicar belas obras Nacionais.
    Parabéns mesmo.
    Um abração,Alexandra
    http://magiasbook.blogspot.com.br/2012/04/galerinha.html

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  6. Parabéns pela entrevista, eu particulamente sou fã do Allan Pitz, tenho todos os livros dele !!!

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  7. Eu gosto dele... Não gostei da Morte do cozinheiro mas gosto d+ do peixinho e do Invisivel. Ele é um escritor bem diferente...

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  8. Mandou bem!! A Arte da Invisibilidade está na minha lista de leitura!! Sucesso, rapaz!!!

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  9. Eu sou super suspeita para falar, pois ADORO o Allan, super gente boa e um escritor talentosíssimo...realmente uma pessoa ímpar que abrilhanta a cena literária brasileira!
    Adorei conhecer mais um pouquinho dele.

    Beijos gente!

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