[Resenha] Bonsai, de Alejandro Zambra

“Bonsai – Alejandro Zambra”, Resenha por Raquel Messina Cukierman 

Zambra, Alejandro 
Bonsai: Alejandro Zambra 
Tradução: Josely Vianna Baptista 
São Paulo: Cosac Naify, 2013 
95 páginas
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        Um romance se inicia entre Julio (um homem solitário) e Emilia (uma mulher transitória) a partir da primeira mentira compartilhada entre os dois, em que ambos diziam ter lido “Em Busca do Tempo Perdido” de Marcel Proust. Faziam leituras conjuntas após o sexo e trocavam confidências recheadas de verdades e omissões que compõem todas as relações dessa trama. Mas o importante não são os diálogos dessa história, e sim o que a narrativa te revela...  mostra desde os acontecimentos corriqueiros até as (in)verdades retratadas na ação de cada um, desviando para a passagem de outros personagens temporários, que irão ajudar a desenvolver as epifanias de cada amante até um final inesperado. 

O livro é dividido em 5 curtos capítulos narrados em terceira pessoa, descrevendo inicialmente cada personagem  para depois pontuar quais as descobertas de cada personagem que levam as mudanças de uma relação, e sobre as suas concepções de vida. É o tipo de leitura que pela grossura se lê em uma viagem mais longa de ônibus, metrô, ou quando o tempo não te prende e se pode tomar um café na rua sem compromisso. Por outro lado, chegar em casa da mesma forma que saiu é quase impossível, Zambra mostra como a passagem da vida nem sempre tem uma lição de moral por trás através de citações literárias entre Julio e Emilia nas suas saídas e transas; é como uma jardinagem do formato de literatura best-seller de finais previsíveis, cortando por capítulo qualquer possibilidade de transformar uma livro-reflexão como esse em thriller. 


         Bonsai é o resultado de uma prática oriental milenar de miniaturização de árvores, que exige um cuidado minucioso e diário para que ela se mantenha nesse formato, e que significa “árvore criada em vaso”. É possível aplicar a metáfora usada pelo autor para mostrar a importância do cultivo e construção do amor, e ao mesmo tempo em como ele é sujeito a mudanças, a passagem do tempo, e a adaptações em busca de um ideal: 

“ (...) um casal que decide comprar uma plantinha para conservá-la como símbolo do amor que os une. Percebem, tardiamente, que se a plantinha morrer, morrerá com ela o amor que os une. E como o amor que os une é imenso e por nenhum motivo estão dispostos a sacrificá-lo, decidem fazer a plantinha se perder entre uma multidão de plantas idênticas. Depois ficam inconsoláveis, infelizes por saber que nunca mais poderão encontrá-la.” – pág. 29  

Em suma, se por acaso o tipo de Bonsai descrito por Zambra “É uma árvore em abismo” – pág. 78, o leitor pode ficar perigosamente seduzido a regar sempre um pequeno abismo na mesa de cabeceira na esperança dessa trama ter uma continuação! Por sorte, o autor tem outras obras que deixam o “efeito bonsai”, mas é preciso ter cuidado... um jardim de bonsai’s pode estar á caminho.

Sobre o Autor

   Alejandro Zambra nasceu em Santiago, no Chile, em 1975. Bonsai, seu primeiro romance, foi traduzido na França, Itália, Holanda, China, Israel, entre outros países. No Chile, o livro ganhou o Prêmio da Crítica e o Prêmio do Conselho Nacional do Livro como melhor romance de 2006, ano de sua publicação. Além de Bonsai, Zambra escreveu dois volumes de poesia, Bahía Inútil (1998) e Mudanza (2003), a coletânea de ensaios No Leer (2010), além dos romances La Vida Privada das Árboles (2007) e Formas de Volver a Casa (2011). Eleito pela revista britânica Granta como um dos vinte e dois melhores jovens escritores hispano-americanos, Alejandro é também crítico, professor de literatura e diligente leitor de manuais, revistas especializadas e livros técnicos sobre o cultivo de bonsai. 

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