Resenha - María de Sanabria | Diego Bracco

Cansada, era assim como ela se sentia. María estava cansada de ser submetida a ordens de homens e de subestimarem sua capacidade só por ser mulher. Essa história se passa uma parte em Sanlúca de Barrameda, uma província de Cádiz (Espanha), e outra no Oceâno Atlântico, numa embarcação para a descoberta do Novo Mundo.

Filha de um nobre, María decide mudar seu destino. Com a morte de seu pai, o qual ela odiava com todas as suas forças, convoca um verdadeiro exército de mulheres para a sua embarcação, o qual ele "deixou" como herança, em rumo ao Rio Prata. 

Mas como María iria conseguir embarcar todas as mulheres que ela queria se era uma ação ilegal?


Como sempre, ela tinha tudo sobre controle. Na região do Rio Prata não havia espanholas suficientes para que não ocorresse a miscigenação dos conquistadores espanhóis. Com isso, Maria conseguiu um bom pretexto para fazer com que a Coroa Real liberasse as mulheres na embarcação.

A princípio houve um intenso preconceito contra essa expedição, porém María contou com uma grande ajuda: Cabeza de Vaca. Com a ajuda de Cabeza a expedição atravessa o Atlântico, mas o oceano é caixinha de surpresas, e essas surpresas podem ser boas, com a de um soldado alemão que mau sabe falar espanhol - o qual ela acha maravilhoso -; como também podem ser ruins: como a presença de piratas e doenças no navio.

"Agonizava de impaciência aguardando a próxima vez em que poderia cruzar seu olhar com o do arcabuzeiro. Enquanto consolava os que começaram a se inquietar com o desvio de rota, inventava tarefas que lhe dessem oportunidade de passar perto dele; de vê-lo a menos de um passo; de roçá-lo."

Será que María Sanabria vai resistir a tantas surpresas que o destino lhe apresenta? Uma obra de Diego Bracco, ítalo-uruguaio, autor que foi considerado pelo Jornal El País "Um dos melhores livros da língua espanhola". Embarque nessa viagem e verá que logo após você não será o mesmo. 

"Tremendo de raiva atrás da porta, María  escutara o que acontecera na sala. Não foi capaz de idealizar um plano, mas sua alma lhe dizia que já havia tomado uma decisão de colocar um ponto final no martírio."

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