Resenha - Paris, Quartier Saint-Germain-des-Prés

Paris, quartier Saint-Germain-des-Prés, de Eros Grau, é um livro sobre Paris – mas não é sobre Paris, porque é sobre seu bairro mais famoso, o Saint-Germain. É, em todo caso, um livro de crônicas – mas não é um livro de crônicas, porque crônicas são curtas, e o livro inteiro é uma grande crônica de dezenas de páginas... Então é um ensaio amoroso sobre a cidade amada vista por um estrangeiro seduzido – mas não é um ensaio, porque tem o sabor das crônicas... É o livro de um jurista, mas que tem a leveza do flâneur em que o jurista se transforma quando no quartier. 

Enfim, Paris, quartier Saint-Germain-des-Prés é um livro quase tão universal quanto seu objeto, a cidade de Paris. A Paris de hoje. Como reconhece Ignácio de Loyola Brandão, que a assina a orelha da obra, trata-se de um livro “difícil”. Mas não de ser lido, porque sua leitura é tão sedutora quanto a cidade sobre a qual escreve. Ele parece, de um lado, difícil de definir, e de outro, difícil de escrever: “Como escrever sobre Paris fugindo dos lugares comuns? Dizendo uma coisa nova? A cidade já foi devassada inteiramente”. 

Aqui, tudo é resolvido pela soma “do detalhe com a emoção”. Como a emoção é pessoal, o relato do autor sobre “sua” Paris é, afinal, sobre uma cidade particular, feita de detalhes e descobrimentos: não há lugares comuns, nem no texto nem na capital francesa. E como ela nunca se deixa apreender por inteiro, cada relato pessoal revela uma cidade nova por trás ou por dentro de Paris; que, aliás, sequer é uma cidade, segundo o autor, mas um conjunto de vilas, cada uma com sua identidade – e com seus restaurantes, suas livrarias, suas pontes, suas ruas, seus tipos, suas luzes... Daí os livros sobre Paris serem muitos, mas serem todos insubstituíveis. 

Assim como Paris. O autor Nascido em 1940 em Santa Maria (RS), Eros Grau formou-se em direito pela Universidade Mackenzie em 1963. É doutor e livre-docente pela Faculdade de Direito da USP, além de titular aposentado de seu Departamento de Direito Econômico. Lecionou na USP, Unicamp, Mackenzie, UFMG, UFC e FGV. Foi professor visitante da Faculdade de Direito da Université de Montpellier e da Faculdade de Direito da Université Paris 1 (Panthéon-Sorbonne). Exerceu a advocacia em São Paulo entre 1964 e 2004, quando foi nomeado ministro do Supremo Tribunal Federal, do qual se aposentou em 2010. É autor de vários livros, principalmente de direito econômico e constitucional.

"Quando eu morrer, será que vou pro céu? E, se for, será que vou poder ouvir Tom Jobim cantando "Ana Luíza", e Juliette Gréco, a "Rue des Blancs Manteaux"? Eu queria tanto..."

Saint-Germain-des-Prés designa um bairro do 6º arrondissement de Paris que se desenvolve à volta da igreja com o mesmo nome, na margem esquerda do Sena. O bairro originou-se ao redor da Abadia de Saint-Germain-des-Prés, um enorme complexo monástico fundado na Idade Média que teve grande importância na história da cidade e da França. A partir do início do século XIX o complexo foi destruído em sua maior parte, criando espaço para o desenvolvimento do bairro. Da abadia restou a igreja, que atualmente serve a paróquia de Saint-Germain-des-Prés. Este monumento, construído entre os séculos XI e XII, é a mais antiga igreja de Paris ainda de pé. 

Desde o século XVII este bairro se encontra ligado à vida intelectual da cidade, sendo característica desde então a presença de livrarias e alfarrabistas/sebos nas suas ruas. Após a Segunda Guerra Mundial, o bairro de Saint-Germain-des-Prés tornou-se um lugar de excelência da vida intelectual e cultural parisiense. Frequentaram os seus cafés e bares nomes como Boris Vian, Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir, Juliette Gréco, Miles Davis, Jean-Luc Godard, François Truffaut, Jacques Prévert, Alberto Giacometti e tantos outros filósofos, escritores, atores e músicos.

Os edifícios do século XVII sobreviveram até aos nossos dias, mas os sinais de mudança são evidentes, com o aparecimento de boutiques de moda, algumas luxuosas, em lugar das pequenas lojas e livrarias da época em que Saint-Germain-des-Prés era uma pequena vila. Apesar de hoje em dia ser menos frequentado pelos grandes nomes da vida intelectual e artística parisiense, locais como o Café des Deux Magots, Café de Flore ou a Brasserie Lipp ainda atraem jornalistas, atores e políticos.

"Os lugares falam conosco. A Rhumerie, no entanto, metida a ser mais do que um café, embora agradável, nunca me disse nada. Está lá como a declamar um poema ao rum. Nada contra, salvo que prefiro outros destilados. De resto, um amigo conta-me que a primeira vez que esteve em Paris pensou que na Rhumerie fossem vendidos resfriados..." Obs: Resfriado em francês é "rhume".

Enquanto amante de Paris, apesar de não conhecê-la, pretendo muito em breve viajar para lá. O coração da famosa "cidade luz", caracterizada por seus belos pontos turísticos, bate forte no  peitos dos amantes da cultura local e na dos intelectuais. Quem nunca sonhou em tomar um delicioso expresso na capital romântica acompanhada de um bom livro? Ou até mesmo, encontrar o amor de sua vida em um café ou passeando pelas belíssimas ruas? É muito romantismo. É muito amor. É um sonho de qualquer menina, acredito eu. Ainda terei essa experiência, pode anotar. 

A obra "Paris, Quartier Saint-Germain-des-Prés" é inacreditavelmente perfeita. Repleta de detalhes, ela nos permite pensar através das lembranças do autor, brasileiro, por sinal, que conta perfeitamente aos leitores a Paris de muito tempo atrás e suas mudanças. Cafés extraordinários são essenciais para a obra, na qual ele relata toda a sua trajetória pela cidade. Sem dúvidas foi um dois mais detalhados livro sobre Paris que eu já li. 

16 comentários:

  1. Que livro perfeito! Achei instigante a ideia de ler sobre Paris através do olhar de um brasileiro. E fiquei instigada também a conhecer mais sobre o 6ème arrondissement. Olha, acho que poderia rolar uma promo desse livro, hein!!! =P Brincadeiras à parte, o livro foi direto para a minha wishlist! ^^

    Bjoka, Livro Lab

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    1. Olá, Aline!

      Quem sabe podemos pensar em uma promoção para esse livro?

      Fique de olho em nossa página no facebook!

      Abraço

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  2. Não conhecia esse livro, gostei bastante da premissa ainda mais por se tratar de Paris. Há todo um encanto nessa cidade que desperta a curiosidade só pelas crônicas se passarem por lá.

    Tem sorteio rolando.
    http://nerdicesdeumagarota.blogspot.com.br/

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  3. Ainda não conhecia
    Mas é um livro bem curioso
    Fiquei interessada

    Beijos
    @pocketlibro
    http://pocketlibro.blogspot.com.br

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  4. Óla Wanessa,


    Mais um livro que fico conhecendo no seu blog...achei interessante, quem sabe um dia eu leia...parabéns pela sua resenha...abçs.


    http://devoradordeletras.blogspot.com.br/

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  5. Oie!
    Nossa, eu queria muito conhecer Paris. Fiquei com vontade de ler este livro.

    Beijinhos*
    http://diariodeincentivoaleitura.blogspot.com.br/

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  6. Vou comprar de presente de aniversário para uma amiga que é apaixonada por Paris! *O*

    Beijos,

    Caroline, do Criticando por Aí.

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  7. Eu ainda não conhecia esse livro, deve ser maravilhoso fiquei com vontade de ler!

    Te espero lá no Mundo Teen ein?
    http://flmundoteen.blogspot.com.br/
    Beijos

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  8. Oi!
    Esse livro parece ser interessante.
    Não o conhecia, mas só em saber que o autor descreve ricamente Paris, já foi o suficiente para me deixar interessado.
    Gostei de saber sua opinião. (:
    Abraço!

    "Palavras ao Vento..."
    www.leandro-de-lira.com

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    1. Ele é, basicamente, Paris em forma escrita, Leandro.

      Abraço

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