Resenha - As Violetas de Março | Sarah Jio


“São as águas de março fechando o verão. É a promessa de vida no teu coração.” – Águas de Março, de Antônio Carlos Jobim

Emily Wilson é uma escritora renomada que vive em Nova York em um ótimo apartamento com seu marido, Joel. Todos – inclusive ela mesma – pensam que sua vida é um conto de fadas, entretanto, logo no início já podemos ver que, de fato, não é, e um dos fatores que nos faz chegar a essa conclusão é que ela se divorcia, pois foi traída por Joel e logo trocada por outra mulher, com a qual seu agora ex marido vai se casar em poucas semanas; não gosta do seu próprio livro – um Best seller –, e, depois dele, não conseguiu escrever mais nada por longos oito anos – um 'bloqueio literário', segundo sua terapeuta. E, com tudo isto, está infeliz, com ilusões de voltar para seu ex-marido, deprimida, e nem sequer consegue chorar para extravasar sua amargura. 

É dessa forma que começa o livro, com Emily tendo sua vida devastada, e logo procurando uma nova motivação, uma mais brilhante inspiração, uma musa viva e vívida, tanto para viver quanto para escrever um novo romance, e ela vai perceber que o viver e escrever/ler um romance verdadeiramente inspirado estão mais interligados do que ela jamais imaginara.

“ – Você vem? – Era Annabelle, minha melhor amiga. – Você me prometeu que não iria assinar os papéis do divórcio sozinha.”

Annabelle é a melhor amiga de Emily. Conversando com ela é que nasce a ideia de ela viajar para esquecer todos os problemas, limpar a mente e, também, conseguir inspiração para uma nova história que, viesse dela, ou seja, fosse sua própria história. Mas para onde?pensou Emily. É aí então que ela se lembra de sua tia-avó, Bee, e de sua, calma e serena, casa em Bainbridge Island, na qual passava os verões com a família quando criança, mas que não visitava há anos.

“Emily, a ilha tem toda uma maneira de chamar alguém de volta quando é hora. Venha para casa. Sinto saudades de você, querida. Com todo meu amor, Bee.” 

Já na ilha ela conhece, logo quando chega, Henry, um idoso muito gentil e simpático; estranhamente, sua tia Bee – vizinha de Henry, inclusive –, fica muito nervosa e inquieta em sua presença, nunca olhando-o nos olhos, por questões passadas. Ele, então, torna-se um personagem todo misterioso para Emily.

Depois, em um encontro inesperado de Emily e Henry, ela conhece Jack – um homem que consegue cativa-la mesmo depois de ter seu coração partido. O que ela ainda não sabia é que Jack não é, e nunca foi, bem-vindo à casa de sua tia, por questões também passadas, e misteriosas.

Outro homem que Emily encontra na ilha é Greg, sua paixão da adolescência. Mas ela fica impressionada ao ver o estado da vida daquele homem, pois pensava que seria tudo muito diferente.

“My heart is sad and lonely
For fou I pine, for you dear only…” (Body and Soul)

Um pouco mais adiante, Emily encontra escondido, na gaveta de uma cômoda no quarto em que estava dormindo, um diário. Ela começa a lê-lo, tomando cuidado para que ninguém soubesse, pois não sabia de quem era. Vendo que o diário misterioso parecia conter verdades interligadas com sua tia Bee, seus outros familiares, Henry e todas as pessoas daquela ilha, ela começa a ficar cheia de dúvidas e perguntas, e logo tenta solucioná-las, perguntando e pesquisando. Tudo parecia conectado: presente, passado, e o mesmo diário poderia mudar até mesmo o futuro, segundo Evelyn – a melhor amiga de Bee, que Emily conhecera em um encontro das três.

''Como o diário foi parar ali, no quarto de hospedes de Bee? E por que Evelyn acreditava que aquelas páginas foram feitas para ser encontradas - para ser encontradas por mim?''

É a partir daí que o livro realmente se desenrola, discorrendo pelos problemas de Emily – no presente – até os problemas das vidas contadas no diário – do passado –, e tudo começa a se conectar.

É um romance muito focado numa narrativa, assim por dizer, dupla – e muito bem escrita, diga-se de passagem; com uma ligação atemporal muito bem estruturada, Emily vive sua própria história, juntamente com uma leitura ávida do diário, parecendo que um guiaria o outro. Outra coisa muito interessante é de que temos basicamente duas protagonistas, e ambas são muito parecidas – inclusive eu pensei até que o diário fosse um tipo de espelho para Emily.

Uma obra de leitura dinâmica e tranquila; um romance com leves pitadas de suspense, traição, paixões momentâneas e duradouras, e com muito mistério, que, no final, são devidamente solucionados. Uma história de amor dúbia, misteriosa, que mostra uma mulher, Emily, aprendendo, crescendo e amadurecendo em sua vida no presente com uma história do passado. 

 Para finalizar, segue uma breve poesia, de minha autoria, embasada no livro:

“Dois trilhos.
Sim, dois trilhos: passado-presente, presente-passado.
Estes são os trilhos misteriosos
Dos trens cristalinos,
Que trilham tantas páginas do livro romântico.
Em março um trem passou, foi o de nome passado;
Outro passou quando as violetas florescem,
Nomeado violetas, como homenagem.
Estes trens andam em trilhos seguros,
Mas que mais parecem bambos.
Trens históricos em trilhos românticos,
Que em linha reta vão ao horizonte;
Separados, longe um d’outro,
Mas que, no final, encontram-se no raiar do sol.” 
– Cesare Turazzi
Sobre o Autor

Sarah Jio é jornalista e escreve para revistas como SELF, Real Simple, Cooking Light e O, The Oprah Magazine, entre outras. Nos últimos anos mantém um blog na "Glamour.com" sobre saúde e bem-estar. Vive em Seattle com o marido, seus três filhos e um golden retriever. 

As Violetas de Março é o seu primeiro romance e foi considerado o melhor livro do ano pelo Library Journal.

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