Resenha - O dia do Curinga | Jostein Gaarder


Jostein Gaarder é um escritor renomado e ganhou destaque com sua obra “O mundo de Sofia”. No entanto, seu talento não se restringe a esse romance, valendo a pena ampliar o rol para outros exemplares de sua obra. “O dia do curinga” é um livro intrigante, que desperta sentimentos, questionamentos e nos faz divagar em máximas que sempre estão presentes nas obras de Gaarder: doses de filosofia, metafísica e aventuras. 

O livro conta a história de Hans-Thomas, um garoto de 12 anos que viaja com seu pai da Noruega com destino à Grécia,  em uma busca apaixonante e apaixonada:  trazer sua mãe de volta pra casa - encontrar a mesma mulher que havia desaparecido um dia com o intuito de se encontrar.

"Está aí uma coisa misteriosa: existem cerca de cinco bilhões de pessoas neste planeta. Mas a gente acaba de apaixonando por uma pessoa determinada e não quer trocá-la por nenhuma outra."

“... maior do que tudo é o amor. E o tempo, nem de longe, consegue apagá-lo com a mesma rapidez com que apaga as lembranças...”

A jornada não é nada fácil, é complexa, repleta de subjetividades e descobertas. O pano de fundo é o baralho, em uma metáfora que se funde com a história de Hans-Thomas e  de seu pai. O livro é dividido em  52 capítulos e cada um deles representa uma número e um naipe. Seu pai, por sua vez, é colecionador de curingas, figura intrigante em um conjunto de cartas que se conjugam:

“Um curinga é um pequeno bobo da corte; uma figura diferente de todas as outras. Não é nem de paus, nem de ouros, nem de copas e nem de espadas. Não é oito, nem nove, nem rei e nem valete. É um caso à parte; uma carta sem relação com as outras. Ele está no mesmo monte das outras cartas, mas aquele não é o seu lugar. Por isso pode ser separado do monte sem que ninguém sinta falta dele”.

Outra característica marcante de “O mundo de Sofia” e que se repete nesta obra é  o livro dentro do livro - a história dentro da história. Jostein Gaarder estrutura de forma peculiar suas obras, colocando histórias paralelas que se interligam em pontos específicos, deixando a obra ainda mais intrigante.  A narrativa dentro da narrativa surge quando o jovem Hans-Thomas ganha um minúsculo livro de um padeiro e, algo aparentemente sem relação com sua jornada, se torna todo o sentido e justificativa dela.

O pai de Hans-Thomas, nos diálogos que estabelece com seu filho, demonstra que se trata de um filósofo por natureza: um curinga que não se contenta em viver a vida sem entendê-la, sem analisá-la e sem tentar tirar o melhor dela. Em discussões e lições, Hans-Thomas aprende sobre o mundo, sobre os seres humanos, sobre a vida e sobre si mesmo. Uma viagem inesquecível para quem se sente uma carta fora do baralho.

“Toda manhã vocês se levantavam e saíam para o trabalho. Na verdade, porém, vocês nunca estiveram de fato acordados. Pode ser que vocês tenham visto o sol, a lua e as estrelas no céu, e também tudo o que existe e se move sobre a terra. Mas vocês nunca viram todas essas coisas como elas realmente são. No caso do curinga é diferente, pois ele veio ao mundo com o defeito de ver coisas demais e de ver todas elas em profundidade!”




4 comentários:

  1. Ahhhhh, eu já li esse livro, mt pertubador, mas adorei!
    Bjos!
    http://amonailart.blogspot.com.br/

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  2. Gosto desses livos que mexem com nossa cabeça, vou procurar pra mim! :)
    Adorei a resenha <3
    Beijos! ;*

    www.makesemais.com

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  3. é o meu livro FAVORITO eu amo ! li s primeira vez quando tinha 11 anos e ate hoje nao me canso ..

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  4. Gostaria muito de ter esse livro, mas como é antigo não acho em livrarias. E em Sebos é difícil encontrar por Joinville.

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