A silenciosa revolução dos livros


A silenciosa revolução dos livros

Nem todo mundo leu “O Pequeno Príncipe”, mas quase todo mundo adora citar Antoine de Saint-Exupéry para dizer que “o essencial é invisível aos olhos”. Mas, muitas vezes acabamos por não pensar no que é realmente essencial. Diante de tanta futilidade na era da TV e da internet, dessa necessidade moderna de se mostrar, de ver e ser visto, de transformar qualquer acontecimento em notícia e de transparecer felicidade 24 horas por dia, 7 dias por semana, ficou difícil achar a essência no meio de tanta aparência. 

Em contrapartida a esse cenário moderno existem os bons e velhos livros: discretos, silenciosos e muitas vezes desprezados. Eles não mudam nosso cabelo, nossa roupa, nosso peso ou nosso status de relacionamento. Eles mudam nosso entendimento do mundo e das pessoas, nosso modo de lidar com a vida, nossa forma de enxergar os mistérios do universo. Mas, por fora, na aparência, continuamos os mesmos.

Percebemos mudanças na vida das pessoas quando elas emagrecem ou engordam, quando usam roupas da moda, quando trocam de celular, quando casam ou separam, mas, as mudanças internas, as revoluções na cabeça e no coração, que são as realmente essenciais, não podem ser vistas de fora, não podem virar espetáculo, nem ser postadas em páginas da internet. Por isso, muitas vezes, parecem não existir.

As revoluções internas e silenciosas, aquelas que só os bons livros podem provocar, ficam guardadas apenas para quem sabe o que é realmente essencial. Porque no mundo dos livros não existe “Fashion Week”, “Première”, capa de revista, nem tapete vermelho com os looks das celebridades. Por isso, muita gente ignora, desconhece ou até despreza. Os bons livros são escritos no silêncio de um escritório, publicados (quase sempre) discretamente pelas editoras, lançados sem grande estardalhaço e lidos na solidão de um quarto. Os livros vão mudando o mundo devagar, transformando pessoas, conectando semelhantes. Tudo na contramão das tendências, à margem da moda, da futilidade e das aparências.


O que aconteceu na minha vida depois de ler 1984, o que mudou no meu mundo depois de conhecer Clarice Lispector não pode ser mostrado, visto, explicado ou postado no Facebook ou Instagram. Foi uma revolução silenciosa, só minha, que não pode virar show.

O que um bom livro pode fazer na sua vida está além do que se pode escrever, explicar, sintetizar, fotografar e mostrar. È muito profundo e pessoal e, por isso, não é algo que possa virar notícia para os outros. É algo só seu. Essencial e “invisível aos olhos”.

8 comentários:

  1. Muito bom, Bárbara. Coincidência ou não, há alguns dias atrás estava procurando um exemplar do 'Pequeno Príncipe' para colocar na minha estante. Li ele há muitos anos, mas já esqueci tudo. Viciados em internet/Facebook precisam MUITO de bons livros hoje.
    Parabéns pela estréia!

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    1. A vantagem desse livro é que em cada fase da vida ele ganha um novo sentido! Sempre vale a pena ler!
      Obrigada! Abs!

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  2. Plenamente de acordo! As transformações que muitos livros fizeram em mim... só eu percebo e sei cada pontinho do meu ser que foi modificado! Sou viciada em ler. Já adquiri vários que você sugeriu.
    Obrigada!
    Bj. Célia.

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    1. Célia, somos parte de um pequeno número de pessoas que sabem quais mudanças são realmente necessárias e importantes, ne? E elas quase sempre passam pelos livros!
      Abs!

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  3. Oi, tudo bom?
    Te indiquei a TAG 11 perguntas. Depois passa lá no blog pra ver as regras.

    Bjs
    http://noestilonamoda.blogspot.com.br/

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  4. Adorei todas as vezes que passo aqui me encanto mais seja com as dicas seja com os textos, um xeru da Rose

    http://www.blogtopodendo.blogspot.com.br/

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